• 23 JUN 17
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    Sobre Viver

    Sobre Viver

    E depois? Depois do diagnóstico, depois da medicação, depois da internação… O que fazer depois disso? Essa é pergunta que não quer calar. Tenho pensado insistentemente nisso… Tenho escrito sobre isso sempre, mas é uma questão que está me incomodando…

    Há quase dez anos recebi o diagnóstico de Esclerose Múltipla. No início demorei a assimilar e aceitar a situação. O fato é que depois disso tive uma filha, escrevi um livro e me aposentei.

    A essa altura da vida, vejo-me novamente cheia de dúvidas e receios. Pensando o que devo fazer e o que posso efetivamente fazer?

    A maternidade me trouxe alegrias imensas e sentimentos inimagináveis, um amor profundo e incondicional. O livro trouxe-me uma alegria imensa e uma satisfação ao mesmo tempo. A aposentadoria trouxe-me alguma estabilidade financeira, mas me desestabilizou emocionalmente, enchendo-me de dúvidas e sentimentos não tão bons.

    Depois desses acontecimentos, passei por uma separação, foi uma decepção amorosa muito dura, como normalmente são as separações; deixou muitas mágoas e cicatrizes que ainda reverberam dentro de mim.

    Hoje estou aqui tentando escrever algo que valha a pena ser lido. Sinto que ainda posso produzir, sinto-me viva e plena. A esclerose múltipla não tirou a minha vontade de fazer a diferença, muito pelo contrário, agora sinto que devo e quero fazer algo relevante.

    Pode ser que seja pura pretensão, aos olhos de muitas pessoas, mas tenho esse sentimento comigo. Sinto-me bem, apesar de algumas imposições da patologia, como o andar com ataxia e desequilíbrio, a perda parcial da visão periférica.

    O que quero dizer com isso é que apesar do andador, da fadiga e dos obstáculos, estou sobrevivendo, mas quero mais e preciso viver…

    Quero sentir-me produtiva novamente. Alguém, que de alguma forma, faz a diferença. Todos nós temos essa possibilidade e essa condição.

    A vontade e a capacidade não foram perdidas com o diagnóstico, com as internações e com a medicação. E agora me pego nesse dilema, o que fazer? E pra onde ir?

    As respostas ainda não tenho, mas continuarei firme na minha busca e nos meus propósitos. Um novo livro… Ações sócias… Amor…

    Como diz a canção: “você tem fome de que?” Respondo: tenho fome de viver, de fazer, de acontecer…

     

     

     

     

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  • Posted by Regina Mimura on 23 de junho de 2017, 20:43

    Dani, mais uma vez, vc soube traduzir as dúvidas e anseios de muitos de nós em um belo texto.obrigada

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