• 03 ABR 17
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    QUANDO UM DESERTO SE TORNA MAIS QUE UM DESERTO – Parte 2

    QUANDO UM DESERTO SE TORNA MAIS QUE UM DESERTO – Parte 2

    De repente ao pé daquela subida ouvi um grito lá de cima dizendo bem alto;  ” Sobe que esse é fácil pra você escalador”. Era o Edu, me incentivando e vi vários braços me chamando. Reuni as forças necessárias, rir de mim mesmo é uma grande força que uso sempre e comecei a subir como se estivesse andando calmamente parando em alguns momentos tomando água e olhando sempre a frente nunca para cima.

    A cada passo que dava sentia que uma parte do meu corpo que já estava com estafa e dor causado pela EM, foi se modificando, primeiro foram as pernas que ficaram menos pesadas, os braços foram se tonificando novamente, a mente foi se abrindo, respirando calmamente  e quando olhei para um horizonte abaixo, consegui  chegar ao topo daquela barreira. Vi o Edu e o Ashok um indiano que estava com a gente correndo para me abraçar e comemorar e chorei muito, mas não de dor e sim daquela conquista de emoção pura que vamos ter em alguns momentos da vida.  Eles não sabiam o que se passava e só souberam dias depois que eu contei, mas isso é outra história.

    Acho que essa passagem explica que quando chegamos a um momento decisivo, que vai mexer em demais com aquilo que até então conhecemos bem e estamos invariavelmente satisfeitos nos faz voltar aos desertos internos da dúvida, em um dado momento uma grande barreira surge do nada para superarmos e temos que fazer isso ou entregar de vez ao mesmo destino que o dia a dia nos trás, que naquele caminho tão desértico que eu estava andando em uma linha reta  e precisei  supera-lo, mas não sozinho, existiam pessoas que sabiam que eu conseguiria. Mais tarde no campo base perguntei para os meus amigos naquela expedição porque acreditaram que eu conseguiria e me disseram em vários idiomas, que eu passei para eles antes confiança e coragem logo no começo da nossa expedição e não imaginavam eu não estar com eles naquele desafio de subir aquela alta montanha, eu dizia sempre  para a  Komal uma indiana que estava também  no grupo  e para todos os outros ou até outras equipes  que cruzavam meu caminho,  Together until  the end (Juntos até o fim) e soube que eles gostavam de ouvir aquelas palavras quando eu me manifestava  e na verdade, eu também  precisava deles.

    Foi então que entendi que naquele momento muita coisa tinha ficado para trás, que alguns desertos não seriam mais tão imensos ou intensos, que aquele passado de necessidade de se apoiar em fatos passados não seria mais tão necessário, que existia então a abertura para um novo e desafiante deserto com as escolhas feitas por mim ou pelo destino das escolhas que esse grande círculo de vontades e de pessoas existem em nosso desejo de descobrir, de uma simples vontade ou de um planejamento mais elaborado.  Sim eu precisei ir em frente, se estivesse parado no caminho, não saberia nunca o que estaria por vir na minha vida, daquele momento eu me lembro de todos os dias em que me vejo com esses novos movimentos, posso dizer que por mais que eu vá por aquele mesmo caminho tantas vezes, sempre será diferente, nunca como a primeira vez, aquela vibração sempre vai voltar,  aquele movimento  que nunca vou esquecer, aquele movimento seja aonde você estiver e da forma que fizer  que  ira fazer o  que tanto buscou,  visite esse novo deserto, não tenha receio, se ele chegou até você  e porque você permitiu, alguém sempre vai estar por lá esperando você chegar ou ir em sua direção. Está em suas mãos a permissão, simples assim. GOOD VIBES

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