• 09 FEV 18
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    FADIGA

    FADIGA

    O dia começa e sempre há tanto por fazer. Aí vem a lista de prioridades: médico, banco, escola da filha. Estamos no verão e com ele a fadiga chega mais rápido, deixando as pernas moles e uma sensação de exaustão, como se tivesse levando o mundo inteiro nas costas.

    Diante disso, sempre vem o pensamento não farei nada hoje, deixa isso para depois. Só que o dia seguinte será quente igual e as coisas ainda precisarão serem resolvidas.

    Com o passar do tempo de diagnóstico da esclerose múltipla e do início do tratamento percebo que a fadiga está chegando mais cedo. Muitas vezes faço menos e sinto muito mais cedo o cansaço, a fadiga.

    É complicado até para explicar aos outros. É um cansaço intenso que você não consegue sequer ficar em pé. Digo isso por experiência própria, uso um andador para me locomover, consigo bastante autonomia com ele, mas quando a fadiga chega não tem jeito, a única coisa a fazer é parar respirar e tentar se restabelecer.

    A fadiga é como se você ficasse com alguma parte do corpo dormente, como quando se senta em cima de uma perna e quando tenta mudar de posição é como se aquela parte do corpo não respondesse, então você fica bem descoordenado e sem força.

    É a fadiga tira a força e causa até dor, nas pernas principalmente. Difícil explicar e muito mais complicado sentir. As forças acabam, é como o super-homem quando exposto a kriptonita.

    Mas e daí, a vida está correndo, as coisas precisam ser feitas e não tem escolha, os problemas precisam ser resolvidos.

    A saída que encontrei foi: fazer um cronograma, para determinar em que ordem as coisas devem ser feitas e com isso os problemas resolvidos.

    No verão, com a temperatura mais alta prefiro sair pela manhã. Divido as tarefas entre os dias da semana para conseguir fazê-las bem e não acabar com toda minha energia.

    Conseguir resolver meus problemas sozinha faz com que me sinta capaz e ainda preserva minha individualidade e dignidade.

    Tenho consciência de que preciso de ajuda muitas vezes, mas devo confessar que sinto muita satisfação em conseguir fazer as coisas sozinhas, resolver os problemas pessoalmente.

    A autonomia tem de vencer a fadiga, para isso é necessário o mínimo de planejamento. Tenho a consciência de que muitas vezes o que gostaria de resolver em um só dia não é possível, então precisarei fracionar as tarefas e planejá-las minimamente.

    Com o passar do tempo vou me conhecendo mais e me adaptando as situações. Flexibilidade nas atitudes e na forma de resolver as coisas é o melhor a fazer para manter a mente sã e o coração tranquilo.

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