• 12 JAN 16
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    Controle da esclerose múltipla com remédios tem se tornado mais eficaz

    Controle da esclerose múltipla com remédios tem se tornado mais eficaz

    ocrelizumab

    Protagonista da novela A Regra do Jogo, Romero Rômulo, interpretado por Alexandre Nero, enfrenta a esclerose múltipla na ficção. Essa doença crônica e degenerativa do sistema nervoso atinge 35000 brasileiros e cerca de 2,5 milhões de pessoas no mundo. Ainda não tem cura, mas novos remédios garantem maior controle dos sintomas e melhor qualidade de vida aos pacientes.

    A esclerose múltipla acomete o sistema nervoso central, que é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal. É uma doença autoimune, que se manifesta quando o organismo confunde células saudáveis do sistema nervoso central com as células intrusas, atacando-as e provocando lesões cerebrais e medulares. Isso pode causar deficiências e incapacidades como formigamentos, tremores, fraqueza muscular, fadiga, desequilíbrio, perda de sensibilidade, dificuldade para falar, urgência ou incontinência urinária, perda da visão ou visão dupla e também transtornos emocionais.

    Ela atinge adultos com puco de incidência entre 20 e 40 anos. É mais comum nas mulheres com histórico familiar – a incidência é de três mulheres para cada homem portador. Os sintomas se manifestam de forma leve, moderada ou intensa. Surgem de repente, podendo evoluir em surtos ou de modo lento e progressivo. Também ocorre em intervalos, ou seja o portador pode ficar algum tempo sem a doença e depois ela reaparecer.

    A esclerose múltipla não tem cura, mas pode ser controlada. As consequências variam de acordo com seu agravamento, já que pode levar à incapacidade progressiva, em dazão da perda da condução nervosa em diferentes áreas do sistema nervoso central. Como é uma doença potencialmente debilitante, as pessoas com evolução mais grave podem chegar a perder a capacidade de antar ou até de falar claramente.

    Mas o diagnóstico cada vez mais precice e os tratamentos disponíveis nos últimos 20 ano, que atuam no sistema imunológico, controlam cada vez mais seu agravamento. O diagnóstico é clínico e não esiste exame específico para a doença; por isso, é importante a exclusão de outras doenças autoimunes, infecciosas e vasculares que apresentam sintomas e evolução semelhantes à esclerose múltipla.

    Cerca de 80% dos pacientes tem a forma surto-remissão, ou seja, há momentos em que os sintomas aparecem e outros nos quais desaparecem total ou parcialmente. Para esses casos, o tratamento visa controlar os surtos, minimizar os sintomas e reduzir a progressão da doença com medicamentos imunomoduladores e, mais recentemente, com um anticorpo monoclonal e um imunossupressor seletivo, disponibilizados pelas Secretarias de Saúde sem custos para os doentes.

    Há outros fármacos para o tratamento que foram ou estão sendo aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), como fumaratos, alemtuzumabe, outro anticorpo monoclonal e a teriflunomida. Para os pacientes com início da doença na forma mais grave, existem novidades como uma nova molécula chamada ocrelizumabe, que contribui de maneira relevante para barrar a progressão da esclerose múltipla, diminuindo a incapacidade motora, as inflamações e as lesões cerebrais, e o primeiro a mostrar resultado positivo no forma primária progressiva da doença.

    Além do tratamento que interfere no avanço da doença, medicamentos para minimizar os sintomas também são importantes. O paciente precisa de apoio de uma equipe multidisciplinar, ou seja, composta por neurologista, psiquiatra, psicólogo e fisioterapeuta. É fundamental que a família também seja orientada por profissionais experientes, para que dê o apoio e o suporte necessários ao familiar doente.

    Por Soniza Vieira Alves-Leon (CRM 5 228 494-6), pesquisadora do CNPq, neurologista do hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro e professora-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Neurologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

    Artigo publicado originalmente na edição 1158 da Revista Caras de janeiro de 2016

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