• 12 JUL 17
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    Afeto Animal

    Afeto Animal

    Resolvi intitular assim o tema de nossa discussão de hoje, porque pretendo falar sobre a relação afetiva que se estabelece entre o animal e seu dono, proprietário, pessoa de referência ou tutor e os benefícios curativos decorrentes disso. Não pretendo tratar aqui nem da terapia assistida por animais e nem dos aspectos negativos em se ter um animal.

    Eu realizo atendimentos psicológicos em pacientes com esclerose múltipla e tenho visto a mudança de comportamento destas pessoas com a aquisição de um animal, nos casos exemplificados gato e cachorro e o quanto esta relação propiciou a melhoria da qualidade de vida, diminuindo os sentimentos de solidão que passaram a ser preenchidos pelos sentimentos de companheirismo.

    Já tive a oportunidade de presenciar em âmbito familiar a melhoria de quadros depressivos com a ajuda de cães, a melhoria do humor e de relacionamentos com a presença de periquitos, o aprendizado do sentido da vida e da maternidade com cães e gatos e o ato de cuidar com peixes e tartarugas.

    O ser humano em sua essência não está preparado para viver solitário, o aperfeiçoamento do sistema nervoso central possibilitou o uso da linguagem com isso a comunicação, a interação, o desenvolvimento emocional e, portanto, o estabelecimento das relações com o meio, isso implica em relações entre seres humanos e animais. E está relação se estabeleceu desde os primórdios da vida, momentos em que o animal é o objeto de caça, de transporte, de trabalho, de proteção, de alimento, de lazer, de prazer, de auxílio, de passagens bíblicas, de retratos em arte, em enigmas e mais recentemente como um participativo em processos terapêuticos.

    No artigo de Giumelli e Santos (2016) encontrei informações de que no Brasil, na década de 1950, a Dra Nise da Silveira utilizou animais em um hospital psiquiátrico, no Rio de Janeiro, de forma terapêutica. E, que na literatura internacional encontra – se escalas que mensuram o vínculo estabelecido entre o homem e o animal, como exemplos a Companion Animal Bonding Scale, a Pet Attitude Scale-Modified e a Pet Relationship Scale.

    Hoje sabemos que vários profissionais das áreas da saúde utilizam técnicas de terapia assistida por animais como recurso de tratamento para pessoas com vários tipos de doenças ou problemas físicos e psíquicos, que podem ou não ter algum tipo de deficiência ou limitação.

    Eu tenho uma paciente veterinária que me diz: – os animais têm emoções, o aparato cerebral é diferente, mas eles manifestam suas emoções. E a partir de minha conversa com ela, passo a perceber mais essa demonstração afetiva do animal com seu tutor e vice-versa. Posso dizer um estabelecimento de interação, de empatia, uma cumplicidade.

    Acredito que a intimidade estabelecida entre o animal e a pessoa referência faz com que ambos sintam-se mais felizes, com mais prazer, mais alegria, mais vontade de viver e de brincar, influenciando inclusive, o sistema imunológico, dando mais vigor e bem-estar. Em determinados casos, inclusive, assumindo a representação de um membro da família ou auxiliando crianças a compreensão da vida, de responsabilidade e o sentido de cuidado, como retratado no filme Marley e Eu.

    Tenho alguns pacientes que a partir da aquisição de animais começaram a voltar logo para casa após o trabalho, deixaram o estresse de lado, até acham graça na bagunça que os bichinhos fazem, passaram a fazer uma atividade física para acompanhar seus amigos ao passeio diário, que inverteram os papeis em casa, pois quem passou a mandar nos “donos”, foi o animal, claro que não podemos esquecer que em muitas situações quem faz o exercício da dominação ao animal é o homem.

    Refletindo sobre os diversos pontos de vista em relação ao afeto animal, considero saudáveis as diferentes relações estabelecidas, pois elas não podem e não devem ser uma determinante única, cada pessoa em decorrência de suas próprias características de personalidade e de situação vivenciada vai estabelecer um tipo de relação com o seu animal de estimação e, portanto, o que deve ser considerado bom é aquilo que é estabelecido entre o animal e sua família.

     

    Por: Dra. Ana Maria Canzonieri

    CRP: 06/46571-3

     

     

    Referências Bibliográficas

    Giumelli RD, Santos MCP. Convivência com Animais de Estimação:Um Estudo Fenomenológico. Revista da Abordagem Gestáltica – Phenomenological Studies ; XXII(1): 49-58, 2016.

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