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    A resiliência! – Blog da Camilla

    A resiliência! – Blog da Camilla

    Esta palavra resiliência sempre foi uma palavra fascinante, ao meu ver. Segundo o nosso, ultimamente pouco usado, dicionário Aurélio, resiliência é:

    Um substantivo feminino, 1. Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.

    1. Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.

    Vá…. quem vai me dizer que essa palavra não é maravilhosa? Até a pronúncia dela é perfeita… Ops, perfeita até o momento que você não tem que usá-la em sua própria vida!

    Depois que descobri o diagnóstico de esclerose múltipla em Agosto de 2011, eu comecei a fazer todos os tratamentos que me diziam que daria resultado, tive que parar um momento da minha vida e refletir…. Estava atirando para todos os lados, estava literalmente perdida, tanto com relação a tratamentos, pois nessa época a medicação que eu tomava não fazia efeito no meu organismo e me dava efeito colateral insuportável, como com relação ao meu psicológico, que estava péssimo (tentava me fazer de forte a qualquer custo e não me permitia ser diferente).

    Na ABEM conheci e conversei com muita gente, depois de ouvir muitas histórias de superação, resolvi que começaria a usar a palavra resiliência em minha vida! Acredito que uma das melhores coisas que fiz foi ter me permitido ter esse tempo de assimilação e amadurecimento com relação a tudo que estava me acontecendo.

    Claro que com relação ao primeiro significado da palavra resiliência: “Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação”. Esse, luto dia a dia para me recuperar o máximo que eu puder. Tenho ciência que não mais serei a mesma, devido as minhas lesões, mas mesmo assim, preciso me recuperar da melhor forma que eu puder para mim mesma.

    Mas com relação ao segundo significado: “Capacidade de superar, de recuperar de adversidades”. Ah… esse me orgulho muito…. que beleza que estou me saindo, rs…. Apesar de essa ser outra luta diária que tenho que conduzir na minha cabeça….

    Quando me dei esse tempo, entendi e aceitei o que eu precisava, entendi e aceitei que se eu não conseguisse mais trabalhar não seria a pior pessoa por isso, entendi e aceitei que se eu não pudesse mais correr não seria pior por isso, entendi e aceitei que respeitar minha forte fadiga faria parte do meu cotidiano para uma vivência melhor comigo mesmo, entendi e aceitei que precisaria tomar infinitos remédios, entendi e aceitei que meu sonho de ser mãe teria que ser adiado para sei lá quando, entendi e aceitei que passar em muitos médicos sempre faria parte da minha vida, entendi e aceitei que muitas pessoas que vem nos apoiar e acabam falando um monte de besteiras sempre vão existir… Enfim… comecei a perceber que se eu entendesse e aceitasse, muitas coisas seriam menos difíceis, veja bem, não mais fáceis, e sim, menos difíceis!

    Ouvi uma música esses dias de um cantor que nem faz meu gosto musical, mas que tem uma parte da letra que é fantástica, onde diz:

    “Haja o que houver, só preciso de

    Foco: um objetivo pra alcançar

    Força: pra nunca desistir de lutar e

    Fé: pra me manter de pé, enquanto eu puder

    Só preciso de foco, força e fé”

    Minha resiliência está altamente conectada com minha fé. E quando digo fé, não necessariamente digo qualquer tipo de religião, mas a fé em mim mesma, a fé de que “se a vida estiver muito amarga, bora dar uma rebolada, pois às vezes o açúcar que precisamos está no fundo”.

    Minha resiliência está em mudar, ou tentar mudar, a forma como sempre enxerguei as coisas, principalmente as dificuldades… Minha resiliência está em ver as coisas belas da dificuldade… Minha resiliência está em aceitar que vai ter momento que sofrer me fará bem, mas que levantar a cabeça me fará muito melhor.

    Não acredito existir uma receita certa, como as receitas de bolo, para tentar não sofrer com um diagnóstico, qualquer que seja, mas acredito que talvez nos darmos um tempo e nos permitirmos sofrer, chorar, rir, etc…. podemos achar nossa fórmula não tão mágica, individual, rs…..

    Que de hoje em diante sua capacidade de resiliência seja imbatível….

    Um super beijo e até a próxima….

    Camilla Spinelli

    Camila Spinelli

    Olá, meu nome é Camilla Spinelli de Castro, tenho 30 anos, sou paciente de esclerose múltipla desde os 26 anos! Sou casada desde 2011, meu marido é maravilhoso, com uma linda e amada filha de 4 patas  de nome Tequilinha que é minha paixão!

    Tenho uma família incrível a melhor que poderia ter e amigos sensacionais que super me apoiam e estão ao meu lado na alegria e na tristeza!

    Sou administradora por formação e apaixonada e sonhadora por vocação!

    Desde que fui diagnosticada procuro de alguma forma fazer por menos que seja pouco, alguma diferença na vida dos pacientes de EM!

    Espero que com meus relatos eu consiga encorajar muita gente a buscar o tratamento adequado, transmitir  informações com qualidades e mostrar que não estamos no fim do túnel!

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  • Posted by Paula on 6 de maio de 2016, 16:08

    Parabéns por toda sua força, Camila.
    Eu recebi o disgnóstico a apenas duas semanas, e ainda estou "desnorteada". HAHAHA
    Eu também sempre achei lindo, forte e especial a palavra resiliência, porém nunca acreditamos que teremos que utilizá-la um dia. Mas juro que vou tentar ser resiliente!
    Beijos.

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    • Posted by Camilla on 6 de maio de 2016, 21:08
      in reply to Paula

      Oi, Paula….
      O diagnóstico é sempre um baque… Mas Você vai ver que com o passar do tempo as coisas vão se encaixando!
      Tenho força, coragem e sabedoria!
      Ah… e seja resiliente, tenho certeza que você vai ser uma vencedora!
      Estou sempre na Abem, será um prazer te conhecer!
      Beijos e bom final de semana!
      Camilla

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  • Posted by Larissa on 7 de maio de 2016, 03:14

    Que lindo relato Camila. Ta aí uma coisa que me falta, resiliência. Sou portadora há 9 anos, tive diagnóstico aos 17, já passei por fase de aceitação, não aceitação, voltei pra aceitação… Passo minha vida numa fase de busca existencial, me falta muita resiliência.
    Bom, parabéns pela sua força.
    Beijos

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  • Posted by Marcelo Morita Oliveira on 8 de maio de 2016, 20:00

    É mesmo Camilla,

    No mês de setembro desse ano meu diagnostico de Esclerose Múltipla fica "di maior" e completa 18 anos (desde 1998).

    Foi um período complicado e difícil. Continuará sendo, não tenho dúvidas, ser RESILIENTE é importante para se adaptar às dificuldades, medicamentos e outros.

    Certamente conseguirá se adaptar e ser também, automaticamente a pessoa se torna ECLÉTICA, mesmo não querendo, pois tem de selecionar melhor as situações distintas em sua vida, como: temperatura do banho, entre muitas outras.

    Quanto a mim, sempre fui muito eclético, com relação a música, alimentos e agora estou selecionando as situações que melhor adaptam a convivência com as dificuldades da doença.

    É claro que MUITAS vezes estive e ou estarei errado e assim é a vida.

    Beijos,

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  • Posted by Mariana on 9 de maio de 2016, 12:16

    Nossa Camila ,a forma como você se escreve me faz sentir,melhor semana passada estava me sentindo desmotivada um pouco para baixo e resolvi acessar o site porque gosto de ler histórias de pessoas que já sentiram ou sentem os mesmos medos que eu, pois vocês sempre escrevem algo sobre a" "Superação", palavra essa que decidi adotar assim como a palavra "Fé".Mas só passei mesmo para dizer parabéns e obrigada ,pois ler tudo isso me motiva muito, e eu também tem uma música que ultimamente escuto muito e me faz pensar,ela diz: Fé pra recomeçar,Calma, pra ver teu sol brilhar.Força pra lutar, garra pra vencer. E é isso que estou tentando fazer dia a dia, então mais uma vez só quero dizer Obrigada por me inspirar e Parabéns.

    Reply →
    • Posted by Camilla on 17 de maio de 2016, 22:03
      in reply to Mariana

      Nossa, Mariana…. Que alegria que meu texto tem te feito bem…. Fico muito feliz com isso… Acho que esses altos e baixos é normal da nossa doença, mas não tenho dúvida de que sendo resilientes a batalha fica mesmo sofrida!
      Um grande beijo e muitoooooo obrigada pelo carinho!
      Que sempre você tenha fé para recomeçar!!!

      Reply →
  • Posted by Mariana on 9 de maio de 2016, 12:16

    Nossa Camila ,a forma como você se escreve me faz sentir,melhor semana passada estava me sentindo desmotivada um pouco para baixo e resolvi acessar o site porque gosto de ler histórias de pessoas que já sentiram ou sentem os mesmos medos que eu, pois vocês sempre escrevem algo sobre a" "Superação", palavra essa que decidi adotar assim como a palavra "Fé".Mas só passei mesmo para dizer parabéns e obrigada ,pois ler tudo isso me motiva muito, e eu também tem uma música que ultimamente escuto muito e me faz pensar,ela diz: Fé pra recomeçar,Calma, pra ver teu sol brilhar.Força pra lutar, garra pra vencer. E é isso que estou tentando fazer dia a dia, então mais uma vez só quero dizer Obrigada por me inspirar e Parabéns.

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    • Posted by Camilla on 17 de maio de 2016, 22:03
      in reply to Mariana

      Nossa, Mariana…. Que alegria que meu texto tem te feito bem…. Fico muito feliz com isso… Acho que esses altos e baixos é normal da nossa doença, mas não tenho dúvida de que sendo resilientes a batalha fica mesmo sofrida!
      Um grande beijo e muitoooooo obrigada pelo carinho!
      Que sempre você tenha fé para recomeçar!!!

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